McDonald’s é processada por desrespeito a leis trabalhistas

Sindicatos pediram à juíza Débora Heringer Megiorin, da 22ª Vara, a reabertura da Comissão Parlamentar de Inquérito do Trabalho Escravo na Câmara dos Deputados, para investigar ações relacionadas ao McDonald’s. As entidades exigem que a Arcos Dourados preste esclarecimentos sobre o número elevado de autuações feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego nos últimos dois anos, o que configura trabalho em condições degradantes nas lanchonetes.

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Foram identificadas irregularidades trabalhistas como jornada móvel, acúmulo de funções sem a devida remuneração, insalubridade, alta rotatividade e trabalhadores menores de 18 anos exercendo funções proibidas para esta faixa etária, como trabalhos nas chapas e na câmara fria das lojas. Em Curitiba, por exemplo, uma inspeção da Justiça do Trabalho constatou que todos os empregados de um dos restaurantes, exceto os aprendizes, operavam chapas e fritadeiras. Durante a inspeção, um trabalhador de 17 anos relatou ter sofrido queimadura e, ao comunicar o acidente para a empresa, recebeu um medicamento e teve de continuar trabalhando.

A ação civil deu início à campanha #SemDireitosNãoéLegal, que reúne centrais, federações e sindicatos. Participam instituições como a CUT, a Nova Central, a Federação dos Empregados em Turismo e Hospitalidade do Paraná (Fethepar) e Federação Interestadual dos Trabalhadores Hoteleiros de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Fetrhotel).

O McDonald’s é hoje um dos maiores empregadores do Brasil, somando 50 mil funcionários em suas 850 lojas e 84 cafés. Só no estado de São Paulo, a multinacional emprega 30 mil pessoas. No mundo, são 440 mil trabalhadores.